A REGRA DE SÃO BENTO



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A DECLARAÇÃO DA VIDA

CISTERCIENSE HODIERNA























































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PRÓLOGO DA REGRA

RB Pról. 1-7

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scuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei.

Antes de tudo, quando encetares algo de bom, pede-lhe com oração muito insistente que seja por ele plenamente realizado, a fim de que nunca venha a entristecer-se, por causa das nossas más ações, aquele que já se dignou contar-nos no número de seus filhos; assim, pois, devemos obedecer-lhe em todo tempo, usando de seus dons a nós concedidos para que não só não venha jamais, como pai irado, a deserdar seus filhos, nem tenha também, qual Senhor temível, irritado com nossas más ações, de entregar-nos à pena eterna como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.

Declaratio arts. 1-2

1. Nós, membros do Capítulo Geral, reunidos para a atualização da nossa Ordem1, após madura deliberação e discussão dos vários pareceres, resolvemos apresentar primeiramente os princípios fundamentais da nossa vocação e da nossa vida para colocá-los como o alicerce de todo o trabalho de renovação.


1Texto aprovado pelo Capítulo Geral de 2000. A primeira aprovação deste texto se deu em 1968/69. As sessões do Capítulo Geral de 1968, em Roma, duraram de 23 de setembro a 12 de outubro; e, em Marienstatt (Westerwald) no ano de 1969, de 22 de julho a 11 de agosto. Todos os membros da Ordem receberam uma "Consulta pessoal", à qual houve 1.392 respostas. Além disso, deu-se também uma "Consulta aos mosteiros", cujas perguntas deveria-se apresentar e responder conjuntamente. Os resultados foram avaliados por uma Comissão criada especialmente para isso, e enviadas aos Abades.

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É nossa intenção expor, com sinceridade e convenientemente, nessa Declaração, o que pretendemos realizar como ajornamento, os fins a atingir e os meios a serem usados para alcançá-los.

2. Com esta nossa Declaração, não queremos, de modo algum, impedir ulteriores reflexões e novas soluções, porque também as futuras gerações Cistercienses têm o direito e a responsabilidade de procurar formas mais adaptadas e melhores da vida monástica, como o fizeram os Fundadores de Cister, no século Xll e as gerações subseqüentes. Só seremos verdadeiramente fiéis a nossos Pais, os fundadores do " Novo Mosteiro", se não cessarmos de procurar caminhos e modos pelos quais possamos viver, cada dia mais perfeitamente, a nossa vocação, segundo a vontade de Deus.



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evantemo-nos então finalmente, pois a Escritura nos desperta dizendo: "Já é hora de nos levantarmos do sono". E, com os olhos abertos para a luz deífica, ouçamos, ouvidos atentos, o que nos adverte a voz divina que clama todos os dias: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não permitais que se endureçam vossos corações", e de novo: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas". E que diz? - "Vinde, meus filhos, ouvi-me, eu vos ensinarei o temor do Senhor. Correi enquanto tiverdes a luz da vida, para que as trevas da morte não vos envolvam".



RB Pról. 14-20

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procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo, ao qual clama estas coisas, diz ainda: "Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?" Se, ouvindo, responderes: "Eu", dir-te-á Deus: "Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a". E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos

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sobre ti e meus ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: "Eis-me aqui". Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor a convidar-nos? Eis que pela sua piedade nos mostra o Senhor o caminho da vida.

Declaratio art.11

11. Não é nossa intenção apresentar um ideal teórico e alheio à vida para conservar ou restaurar formas obsoletas, mas examinar e repensar nossa vida de hoje, moderna e concreta, para fornecer-lhe os princípios da renovação. Esforçamo-nos por criar, eficaz e autenticamente a vida monástica Cisterciense do século XXI, aquela que se segue à vocação que nos é dada concretamente por Deus. Sim, Deus nos chama aqui e agora. Quer que sejamos santos nesta época, nestas circunstâncias, com as possibilidades do homem moderno. Quer que sigamos a Cristo e sirvamos aos homens na caridade.

Nossos trabalhos têm de se radicar sempre na verdade e na realidade concreta da vida. Por isso, nesta Declaração, queremos ter sempre diante dos olhos os trabalhos, as possibilidades, as exigências, os ministérios de nossos monges e de nossas comunidades, como também a vida da Igreja e do mundo hodierno.

Este sadio realismo, no entanto, não significa, em absoluto, a aceitação ou a aprovação das imperfeições e dos vícios da situação atual, como se, satisfeitos com a realidade vulgar e chã, não desejássemos tender ao melhor. Rejeitamos, naturalmente, tudo isso, como contrário à própria essência da vida religiosa e ao esforço para atingirmos a vida da caridade perfeita. Mas, por outro lado, sabemos muito bem que os ideais e os programas, por mais sublimes que sejam, de nada valem se os homens, aos quais são propostos, não os recebem livremente, e de boa vontade e os realizam eficazmente.










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RB Pról. 21-32

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ingidos, pois, os rins com a fé e a observância das boas ações, guiados pelo Evangelho, trilhemos os seus caminhos para que mereçamos ver aquele que nos chamou para o seu reino. Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas obras, de outra forma nunca se há de chegar lá. Mas, com o profeta, interroguemos o Senhor, dizendo-lhe: "Senhor, quem habitará na vossa tenda e descansará na vossa montanha santa?". Depois dessa per-gunta, irmãos, ouçamos o Senhor que responde e nos mostra o caminho dessa mesma tenda, dizendo: "É aquele que caminha sem mancha e realiza a justiça; aquele que fala a verdade no seu coração, que não traz o dolo em sua língua, que não faz o mal ao próximo e não dá acolhida à injúria contra o seu próximo". É aquele que quando o maligno diabo tenta persuadi-lo de alguma coisa, repelindo-o das vistas do seu coração, a ele e suas sugestões, redu-lo a nada, agarra os seus pensamentos ainda ao nascer e quebra-os de encontro ao Cristo. São aqueles que, temendo o Senhor, não se tornam orgulhosos por causa de sua boa observância, mas, julgando que mesmo as coisas boas que têm em si não as puderam por si, mas foram feitas pelo Senhor, glorificam Aquele que neles opera, dizendo com o profeta: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai Glória". Como, aliás, o Apóstolo Paulo não atribuía a si próprio coisa alguma de sua pregação, quando dizia: "Pela graça de Deus sou o que sou" e ainda: "Quem se glorifica, que se glorifique no Senhor".



RB Pról. 33-38

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is porque no Evangelho diz o Senhor: "Àquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, compará-lo-ei ao homem sábio que edificou sua casa sobre a pedra, cresceram os rios, sopraram os ventos e investiram contra a casa; e ela não ruiu porque estava fundada sobre pedra". Em conclusão espera o Senhor todos os dias que nos empenhemos em responder com atos às suas santas exortações. Por essa razão, os dias desta vida nos são prolongados como tréguas para a emenda dos nossos

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vícios, conforme diz o Apóstolo: "Então ignoras que a paciência de Deus te conduz à penitência?". Pois diz o bom Senhor: "Não quero a morte do pecador, mas sim que se converta e viva".

Declaratio art. 12

12. A atualização abrangerá a totalidade de nossa vida. Assim, todos os seus elementos constitutivos terão de ser revistos e a cada um será dada a devida importância. Seria de todo errado relevar exageradamente alguns aspectos de nossa vida como se a essência da vida Cisterciense consistisse unicamente neles e negligenciar outros elementos, como se fossem simples apêndices ou até obstáculos para a verdadeira vida monástica. Somos e devemos ser Cistercienses em cada momento da vida, não apenas quando nos reunimos para rezar ou para as observâncias comunitárias, mas também nos estudos, nos trabalhos, no ministério sacerdotal, na oração par-ticular, atendendo às necessidades dos homens ou em outras circunstâncias congêneres.

Procuremos, pois, ter uma visão global que harmoniosamente integre todas as facetas da vida no único serviço do Senhor. Se alguns elementos da vida Cisterciense moderna não dizem respeito a todos os membros da Ordem (como o sacerdócio) ou não se relacionam com todos os mosteiros (como a educação da juventude e a cura pastoral) devem ser, no entanto, considerados com atenção e sua importância e obrigação sinceramente reconhecidos. Também os elementos da vida monástica que, pouco ou de forma alguma, se encontrem na Regra e nos inícios de Cister, não devem, por isso, ser taxados de secundários ou duvidosos, pois a vida monástica, como todo ser vivo, cresce com o tempo, evolui, assimila muitos elementos novos e rejeita outros tantos elementos caducos.



RB Pról. 39-44

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omo, pois, irmãos, interrogássemos o Senhor a respeito de quem mora em sua tenda, ouvimos em resposta, qual a condição para lá habitar: a nós compete cumprir com a obrigação do morador!

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Portanto, é preciso preparar nossos corações e nossos corpos para militar na santa obediência dos preceitos; e em tudo aquilo que nossa natureza tiver menores possibilidades, roguemos ao Senhor que ordene a sua graça que nos preste auxílio. E, se, fugindo das penas do inferno, queremos chegar à vida eterna, enquanto é tempo, e ainda estamos neste corpo e é possível realizar todas essas coisas no decorrer desta vida de luz, cumpre correr e agir, agora, de forma que nos aproveite para sempre.



RB Pról. 45-50

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evemos, pois, constituir uma escola de serviço do Senhor. Nesta instituição esperamos nada estabelecer de áspero ou de pesado. Mas se aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de eqüidade, para emenda dos vícios ou conservação da caridade não fujas logo, tomado de pavor, do caminho da salvação, que nunca se abre senão por estreito início. Mas, com o progresso da vida monástica e da fé, dilata-se o coração e com inenarrável doçura de amor é percorrido o caminho dos mandamentos de Deus. De modo que não nos separando jamais do seu magistério e perseverando no mosteiro, sob a sua doutrina, até a morte, participemos, pela paciência, dos sofrimentos do Cristo a fim de também merecermos ser co-herdeiros de seu reino. Amém.

Declaratio arts. 13-14

13. As formas institucionais, nas quais concretamente se manifesta, hoje em dia, a vida Cisterciense são as diversas comunidades vivas. Verifica-se, porém, que nossas comunidades, no decurso dos tempos, assumiram, em várias regiões, formas diversas de vida e vários encargos. Tal pluralismo, em si, não é para se deplorar, como se tratasse de uma absurda decadência; seja aceito, não apenas como um fato consumado, e sim como um sinal de vida e um convite de Deus a ser levado adiante2. Os


2 Cf. S. BERNARDO, Apologia ad Gulielmum, 8 (edição crítica, III - Roma, 1963, 88, p.17): «Et quid mirum, si in hoc exsilio, peregrinante adhuc Ecclesia,

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valores e diversos ministérios de cada Congregação e mosteiro, se entre eles reina a confiança mútua, poderão contribuir, através da colaboração das comunidades, para o bem e o progresso de toda a Ordem. É de muito mais valor o pluralismo na concórdia dos corações, do que uma rígida uniformidade , realizada pela coação e com a discórdia interna. O Capítulo Geral, portanto, reconhece e promove a legítima autonomia de cada Congregação e mosteiro nas suas formas de vida, que deverão ser aperfeiçoadas, e procurará auxiliá-los nos seus esforços4.

No trabalho da atualização é, pois, de máxima importância que cada comunidade conheça e reconsidere sua própria finalidade e seus valores e estabeleça suas formas de vida adequadamente, pois a responsabilidade desse trabalho reverte primeiramente a cada comunidade. O Capítulo Geral visa apenas ajudar, promovendo e coordenando os trabalhos do ajornamento, mas não pode assumir nem suprimir o trabalho que compete a cada mosteiro e Congregação5.

14. Expostos estes princípios, desejamos que a atualização da vida Cisterciense seja uma continuação natural e um desenvolvimento orgânico da secular tradição monástica e Cisterciense. Queremos, sim, conhecer (e até mais cuidadosamente do que antes) as tradições monás-ticas e Cistercienses e pretendemos usufruir delas freqüentemente para nosso bem e inspiração. Não queremos, porém, ficar de tal modo obcecados por ela que isso nos faça relegar a solução dos problemas hodiernos, dos quais os antigos muito pouco ou talvez nada conheceram por causa das condições de vida, radicalmente outras. Não nos é lícito renunciar à própria responsabilidade na atualização de nossa vida religiosa nem recear os novos caminhos e as novas soluções. A história deve ser para nós uma mestra que nos admoeste e inspire e nunca uma tirana que nos coíba .


quaedam huiuscemodi sit pluralis... unitas unaque pluralitas».
3 Sobre o jogo de palavras «concors diversitas - discors uniformitas», veja-se a construção bernardiana: «(...) intelligens (...) Ecclesia hanc suma quodammodo discordem concordiam concordemve discordiam» (loc. Cit., p. 27).
4 Veja-se igualmente o número 87.
5 Aqui se enuncia o princípio de subsidiaridade (veja-se nº86), para sua aplicação ao nº15.

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